A origem da escrita chinesa 汉字 – parte 4

Vamos finalmente finalizar nossa série de posts sobre “A origem da escrita chinesa 汉字” abordando as 2 últimas categorias. Elas às vezes são omitidas e seus caracteres representados em outras categorias, mas ainda são usadas e representam um passo importante do desenvolvimento da língua chinesa:

  • transformação associativa (转注字, Zhuǎnzhùzì);
  • empréstimo (假借字, Jiǎjièzì)

Na categoria transformação associativa, as palavras originalmente não tinham o mesmo significado mas um dia possuíram a mesma escrita (surpresa: um caractere no chinês pode ter mais de uma pronúncia de acordo com seu contexto, algo que também acontece no português e inglês: palavras escritas iguais e pronúncias diferentes, mas fiquem tranquilos que isso é tão incomum quanto na nossa língua). Estas palavras acabaram por ter sua escrita diferenciada uma vez que o sentido não era o mesmo. São caracteres raros e o exemplo mais comum (e único que achei também) são as palavras  考 (kǎo) e 老 (lǎo) que signicam “teste” (no sentido de exame ou prova) e “velho” respectivamente.

A última categoria também bem exótica comparada as anteriores é a empréstimo ou empréstimo fonético. Ela agrupa palavras onde um caractere era usado para representar outra palavra sem relação alguma mas de pronúncia igual, ou um sentido antigo que se perdeu completamente. Um exemplo disso é a palavra 自 (zì) que originalmente era nariz (algo bem “pictografável” né) e passou a ser empregada também para expressão “si próprio” e hoje este é o único significado que ela possui. Escorpião 萬 (wan) também deixou de ser usado para esse sentido e hoje somente significa “dez mil”. Esta categoria usa de uma técnica incomum pois sempre existiu resistência em mudar o sentido de um caractere existente, porém devido a fragmentação de dialetos na China (o mandarim é o oficial mas há outros fortes como o cantonês e dialetos próprios de Taiwan) havia ocasiões em que um dialeto possuía palavras próprias sem escrita ainda, então escrevia-se com outro caractere de uma palavra com fonética igual.

Com isso (ufa!) finalizamos todas as categorias clássicas em que se divide os hanzis. Quem já conhece mais de 50 caracteres com certeza já poderá começar enxergar algumas lógicas nos caracteres depois desses posts. Revisando, a composição pictofonética representa a grande maioria dos hanzis, logo se há um caractere na sua leitura que você não conhece, mas metade dele é um radical que você sabe ler, a chance em você ler com a mesma pronúncia é bastante alta (e eu uso muito este recurso). E os ideogramas criados de sugestão ou agregação lógica, uma vez que se aprende o que é sugerido, são fáceis de lembrar sentido, mesmo que se esqueça a pronúncia.

Só uma dica: apesar de todo caractere representar um fonema, nem todo caractere sozinho possui um sentido afinal há palavras compostas por um, dois, três ou até mais caracteres. Mas fiquem tranquilos que na minha experiência, palavras compostas de 1 e 2 caracteres são mais de 95% das palavras elementares.

fontes: http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Chinese_character#Formation_of_Characters

2 comments on “A origem da escrita chinesa 汉字 – parte 4

  1. Marcio disse:

    Depois de ler os quatro post`s fiquei com uma duvida, hoje na escrita são usadas as 6 categorias para formação de textos?

    xie xie
    parabéns seu blog é o melhor…

    • X-nês disse:

      Sim, todas fazem parte da escrita. Mesmo tendo passado pelo processo de simplificação que vigora na escrita usada na China continental, saber a origem dos ideogramas é comum e faz parte do aprendizado assim como em português também conversamos sobre os radicais das palavras.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

     

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>