Angelie vai para Guangzhou

Nossa leitora Angelie, que se mudou para China em Julho acompanhando o marido a trabalho, nos mandou uma pergunta num post sobre pronúncia. Interessado em sua história eu a escrevi perguntando sobre sua experiência e eis o maravilhoso relato dela:

“Moramos atualmente, eu e meu marido,  em Guangzhou, Guangdong. A cultura chinesa para nós não chegou a ser um grande choque pois moramos em Cingapura por 4 anos.
Guangzhou é uma das 4 maiores e mais desenvolvidas cidades da China e, por isso, possui todas as vantagens e desvantagens de uma cidade grande e cheia de gente. O sistema de metro é novo e um dos mais eficientes do mundo; há shoppings enormes espalhados pela cidades, com lojas de marcas locais e internacionais de toda parte do mundo; aqui encontra-se supermercados grandes e com os mais variados produtos, locais e importados; o transito é doido e barulhento.

Guangzhou – local de muitos shoppings e pólo de exportação

Em Guangzhou existem mercados atacadistas para todo tipo de produto: tecidos, bolsas, calçados, jóias, roupas, brinquedos, autopeças, cosméticos, um para cada tipo de artigo. Tratam-se de prédios de vários andares, ruas, galerias repletas de lojas vendendo produtos correlatos e em grandes quantidades.

Trânsito de Guangzhou

Me parece que essa seja uma cidade um pouco menos desconectada do resto do planeta. Digo “menos desconectada” porque os chineses, apesar dos acontecimentos nos últimos anos, ainda vivem num mundo muito particular. As pessoas se assustam quando vêem ocidentais pelas ruas e shoppings, as crianças apontam, as pessoas nos olham com espanto. A grande maioria da população chinesa só assiste TV chinesa (no máximo TV de Hong Kong por assinatura), só ouve música chinesa…. nunca viu nada que não seja de origem chinesa, nem pela TV, desconhecem o que acontece no restante do planeta.

Ao meu ver, a China é um país que ainda precisa aprender muito em termos de senso de coletividade, caso queir concorrer internacionalmente com grandes potências. Noções de boas maneiras, educação, respeito e preservação da natureza, respeito ao próximo, entre outras coisas se faz urgente por aqui. Preços baixos e baixa quaidade dos produtos não garantem que os produtos chineses dominem os mercados consumidores por muito tempo. Ainda pior quando os baixos preços são baseados em pirataria, funcionários de salários baixíssimos (miseráveis), poluição desenfreada e esgotamento de fontes naturais etc).
O povo possui hábitos ainda rudimentares, como cuspir no chão, arrotar alto, gritar uns com os outros, empurrar sem pedir licensa nem desculpas, poluir rios com esgoto e resíduos das fábricas…
O governo faz campanhas para motivar gestos de solidariedade, gentileza e ensina o povo a lavar as mãos (quando, como e por quê).
Recentemente, estive em Hong Kong e Macau, que pertencem a China, mas são chamadas de áreas administrativas especiais. Por motivos históricos, essas duas “cidades” (para mim são países independentes) tiveram colonização ocidental e foram administradas por Inglaterra e Portugal, respectivamente. São ambos lugares agradáveis, com culturas um pouco distinta do que se encontra na Main Land (China). As pessoas falam outros idiomas além do mandarim e cantonês e parecem estar mais integradas com o mundo em geral.”
Angelie mandou outras informações mas o resto fica para outro post 😉
多谢Angelie!

Guangzhou tem mais de 2 mil anos e já foi conhecida como Cantão

 

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