China, o continente de gente

No terceiro dia pegamos o metrô pra Shenzhen, cidade fronteira com Hong Kong e pólo industrial da China moderna. Na mesma estação subterrânea que nos dava acesso a diversos pontos da cidade, pegamos 1 hora de metrô até a fronteira. Lá tem a imigração como se tem em qualquer aeroporto internacional. Fila para entrada, passaporte, preencher papelzinho, mas tudo é feito praticamente sem trocar uma só palavra. Mostra-se o visto, os papéis, passa-se em scanner e segue. Todo processo leva mais de meia hora só por conta das filas. Aqui é a fronteira do mundo livre de Hong Kong, e um limite também para o uso extensivo de inglês, do dólar de HK, da heterogenia étnica e da liberdade de internet. Virtudes que a ex-colônia britânica tem com relação ao continente chinês.

A gente não tinha visto nada ainda!

A gente não tinha visto nada ainda!

Deu pra ver pelas janelas da estação que Shenzhen também é uma cidade de arquitetura moderna, com prédios altos. Nosso destino era mais uma hora de metrô até o aeroporto e aí já começou a se apresentar a cara da China que ouvimos falar. Ao passar em frente a saída pra rua, buzinas, muitas buzinas. A máquina do metrô pra comprar tickets também se baseava em cobrar de acordo com seu destino final, mas em HK, o uso da escrita chinesa e inglesa conviviam sempre juntos, aqui já mostrava tudo em chinês. Choque ver umas 40 opções de estação na sua frente! Será que eu teria de ler ideograma por ideograma na minha velocidade de semi-analfabeto? Não. Tinha uma opção que deixava tudo em inglês, mas não era intuitivo como a interface reunida de HK. Comprado ticket vi um amontoado de gente se espremendo. Era a fila para passar pelo scanner de segurança. As mochilas passam por raio x na entrada de toda estação de metro que vi até então. Mas as pessoas se espremem, por conta própria nessa fila. Não tem ninguém dizendo pra organizar a fila e ter calma. Os próprios chineses parecem querer encostar ombro no ombro entre velhos e crianças e marcharem como formiguinhas sempre que podem.

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fichinha eletrônica do metro

Tive medo que esse estilo feira de rua em domingo fosse se repetir o tempo todo. Não, é bem assim. No metro mesmo, embora estivesse cheio, tinha espaço pra todos sem se esbarrarem. Lá fora apertado, no vagão, espaço ok. Exatamente o oposto de Rio e São Paulo onde as pessoas com calma na estação e vão se encaixando igual tetris dentro do vagão. O metro foi de boa, climatizado, tranquilo, anúncios em mandarim e depois em inglês. Foi tranquilo chegar até aeroporto. Tinha recomendação pra pegar mais um ônibus que deixaria no terminal. Sorte que trocamos dinheiro lá antes de sair de HK, porque no lado Shenzhen eu não tinha visto casa de câmbio e mesmo o último metrô já tinha sido pago em Yuan.

imageO aeroporto de Shenzhen é grande e bonito. Já começa o estilo chinês de na porta dos restaurantes, apesar de parecerem luxuosas e chiques, a atendente ficar te gritando oferecendo seu prato. Chinês chama cliente no grito. A China continente é um local limpo pros padrões brasileiros. Não há lixo na rua. Há muito mais lixeiras. É possível deduzir quem fala inglês, pela idade e teoricamente nível social, inglês como no Brasil parece ser privilégio de alguns jovens com melhor condição social, com certeza não é matéria obrigatória. É comum em alguns casais jovens só um falar inglês poucos realmente dominam o idioma para ter uma conversação. Meu pouco de mandarim não nos deixou na mão até agora. Deu pra fazer tudo que deu vontade e tirar todas as dúvidas, mas o dicionário, tradutor offline e mapa digital no celular tem sido necessário para complementar o serviço.

 

O vôo pela Spring airlines, a cia aérea econômica da China foi de boa. O banco não baixava, o peso da bagagem incluído era só de 10 kilos, logo compramos um adicional que nem foi pesado e os aviões são os mesmos da Gol e da Azul. Vôo barato de preço e de qualidade, o suficiente. Chegamos em Shanghai no quarto dia. Pés moídos, cansaço do fuso e da umidade constante de 95% que deixamos em HK. O quarto dia foi praticamente pra descansar e transitar de um hotel perto do aeroporto do primeiro dia, pro hotel do centro da cidade no segundo. Nesse trânsito, pegamos taxi e metrô. Vimos o povo na rua xingando e buzinando muito. Eles amam buzina e elas são mais altas que no Brasil. Não deve ter limite imposto para o volume delas. Eles devem conversar usando as buzinas.

No quinto dia fomos rodar Shanghai, continua no próximo post 😉

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